A extração mineral surgiu em nosso município nos idos da década de 70, época em que vigorava no país a ditadura militar. Com isso, a população não foi chamada a opinar sobre a instalação do empreendimento de exploração de bauxita em nosso território. Ficamos durante décadas assistindo a inércia, a omissão e a negligência de nossos governantes, a nossa ausência de conscientização para reivindicar nossos direitos e a mineradora MRN a nos dever compensações financeira, social e ambiental.

 

Hoje, diante dos futuros empreendimentos de grandes projetos em nossa região Oeste do Pará e diante dos gravíssimos impactos ambientais e sociais assistidos por todos nós no país, iniciamos um Movimento que vai discutir as interferências desses grandes empreendimentos nas questões ambientais, econômicas e sociais; discutir o momento econômico e social vivido pelos povos dos municípios mineradores dessa região; discutir a inserção de novas tecnologias e o desenvolvimento das comunidades locais; promover o debate sobre a contrapartida que a mineradora e as futuras empresas que aqui se instalarem, podem proporcionar ao município onde essas empresas estão e estarão instaladas, e a aplicabilidade de seus recursos, além da evolução e desafios na relação entre o município e as empresas mineradoras.

 

Hoje recebemos com grande preocupação o anúncio de mais um empreendimento em nosso território, a construção da hidrelétrica de Cachoeira Porteira. Surge um grande questionamento: o Município está preparado para um grande projeto como esse?

O Movimento em Defesa de Oriximiná vem despertar a sociedade para a urgência de obtermos respostas para tantos problemas que nos afligem e para os desafios da atualidade. Não vamos mais aceitar sermos meros coadjuvantes de um processo onde temos que ser os atores principais. Seremos implacáveis na luta contra a ganância, a violência, o abandono e a destruição da natureza. Vamos estar atentos aos grandes Projetos que não respeitam a legislação ambiental, que causam a desestruturação das áreas urbanas e rurais, a presença do narcotráfico, a violência urbana e rural, os conflitos de terras que expulsam os agricultores do campo, a exploração de áreas quilombolas e indígenas, que ignoram a necessidade de emprego da mão de obra local. Vamos, a partir de agora, cobrar dos próximos governantes a estruturação de Secretarias Municipais como a de Meio Ambiente e Mineração que irá licenciar, fiscalizar e cobrar as condicionantes dessas licenças, e a Secretaria de Finanças que vai arrecadar, fiscalizar e acompanhar todas as ações desses grandes projetos visando à entrada dos tributos inerentes a essas operações.

Se essas instituições públicas não estiverem bem estruturadas e fortalecidas, tal situação acarreta inúmeros prejuízos que poderiam ser revertidos em benefícios para a população local. Empresas, governo e sociedade precisam se unir para pensar e encontrar formas de diminuir e compensar esses impactos. As empresas executoras têm o dever moral e legal de cumprirem com todas as condicionantes que lhes forem impostas. É importante estar atento aos impactos trazidos pela exploração de bens naturais, pois o que é pago atualmente pelas empresas, a título de tributos, não tem sido suficiente mediante os danos ambientais, sociais e econômicos hoje e no futuro – visto que o que é explorado atualmente poderá ou não se recuperar, ou se reconstituir no meio ambiente explorado direta ou indiretamente.

Precisamos exigir que nos EIA/RIMA, as empresas mineradoras e detentoras de grandes projetos tenham que implantar áreas de proteção ambiental, parques ecológicos e outros, assim como sua manutenção. Precisa haver a necessidade de se ter sustentabilidade social, ambiental, econômica e cultural. Nós temos a consciência sobre a importância das empresas para o desenvolvimento do município, mas também queremos participar do processo e acompanhar a arrecadação e expandir nossa diversificação para não ficarmos reféns de uma atividade que vai acabar. É com a união de forças que vamos conseguir o que é de direito do município e consequentemente da população de Oriximiná. Nosso despertar é para que não sejamos uma próxima Mariana/MG e nem num futuro bem próximo uma cidade fantasma.

Oriximiná, 21 de dezembro de 2015

CMO – Câmara Municipal de Oriximiná
STIEMMFOPA – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas Minerais Não Ferrosos do Oeste do Pará
SINTTRAF –Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar
AMBANSPERSO – Associação dos Moradores do Bairro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
STTRO – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Oriximiná
SINDSMOR – Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Oriximiná
AMBASP – Associação dos Moradores do Bairro de São Pedro
CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas de Oriximiná
ACPAMO – Associação Comunitária dos Pequenos Agricultores do Município de Oriximiná
CPMDC – Comitê Permanente pela Moralidade Dignidade e Cidadania de Oriximiná
ACEOR – Associação Comercial e Empresarial de Oriximiná
ASSOMOR – Associação dos Moveleiros de Oriximiná
Z-41 – Colônia de Pescadores de Oriximiná
RÁDIO SUCESSO FM
Fonte: https://www.facebook.com/gelzadac.vitor/posts/749743161836964