Oriximiná comemora no mês de Agosto, sua festa maior: as festividades de Santo Antônio. Esta extraordinária manifestação da religiosidade popular é sempre um ato de fé, esperança, fraternidade e confiança em Deus.

A religiosidade e a devoção pelo padroeiro Santo Antônio acompanham a história deste município. Em verdade, as festividades de Santo Antônio começaram a ser preparadas com pequenas procissões terrestres que aconteciam do dia primeiro até o dia 15 de agosto, anualmente. Nesse período, diariamente, a imagem do Santo saía da casa de uma família da comunidade até a Igreja Matriz, onde se realizava trezenas e ladainhas em louvor a ele.

Somente a partir de 1946, o Círio deixou de ser terrestre e passou a ser fluvial. Essa mudança aconteceu por meio de um acordo entre a Diretoria da Festa e a Cúria Prelatícia de Santarém que também alterou a data da festividade, passando a acontecer do primeiro ao terceiro domingo de agosto e a obedecendo a uma programação especial.

Assim, às 19 horas do dia 03 de agosto de 1946, foi realizada a primeira trasladação da imagem de Santo Antônio que partiu da Igreja Matriz para a casa da Senhora Raimunda Barros (Mundica Barros), no Lago do Iripixi (hoje a Serraria Santa Terezinha), onde funcionava uma escola. A trasladação seguiu o seguinte percurso: Praça São Sebastião (atual praça de Santo Antônio), Rua Barão do Rio Branco, Travessa Carlos Maria Teixeira até ao porto da cidade. A romaria foi acompanhada por muitos devotos que, munidos de tochas que iluminavam o trajeto, dali seguiram em canoas até o local determinado.

É de se observar que o dia 04 de agosto de 1946 ficou marcado na história religiosa do povo oriximinaense, pois aconteceu o primeiro Círio Fluvial Noturno em homenagem ao padroeiro. A imagem do Santo foi conduzida em uma canoa de 30 palmos que pertencia ao Senhor José Vicente Calderaro (Carapina), e guiada por oito bons remadores. A procissão foi acompanhada pelo barco a motor Urucari (único barco a motor que existia na cidade (pertencia ao antigo SESP - Secretaria Especial de Saúde Pública), algumas lanchas a vapor e canoas de vários tamanhos, todos enfeitados com bandeirinhas e tochas para iluminar o percurso. Nos primeiros Círios era comum a presença de canoas enfeitadas com fitas e bandeirinhas de papel de seda coloridos.

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Ao chegar ao porto da cidade, o Círio obedeceu ao seguinte itinerário: Rua 15 de novembro (atual Magalhães Barata), Rua Barão do Rio Branco, Praça São Sebastião (hoje Praça de Santo Antônio) até a Igreja Matriz. Já na Igreja Matriz, realizou-se a parte religiosa com a benção do Santíssimo Sacramento e do novo Estandarte de Santo Antônio, que teve como paraninfos os membros da Diretoria da Festa. Foram patrocinadores as pessoas que compunham a Irmandade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Depois da celebração religiosa, também aconteceu o primeiro leilão, realizado no Barracão da Festa e patrocinado pelos Marianos e Construtores Navais do município.

Durante a festividade aconteciam apresentações artístico-culturais, que eram orientadas pela Diretoria da Arquiconfraria, no palco de Santo Antônio. A animação na praça era de responsabilidade do Senhor Pedro Martins, que fazia apresentação de Jazz no Coreto da Praça, além de possuir um variado repertório de músicas populares que animavam o ambiente festivo.

Cumpre destacar que, atualmente, a romaria é acompanhada por barcos iluminados que oferecem um espetáculo de luzes, cores e magia sobre as águas escuras do caudaloso rio Trombetas. Destacam-se como uma das maravilhas do Círio de Santo Antônio as barquinhas coloridas e iluminadas, hoje fabricadas em Aninga e papel de seda multicor, confeccionadas pela comunidade escolar e pelos romeiros. Elas iluminam a extensão do rio durante cortejo. São milhares de pontos de luz que espelham as águas, como as estrelas reluzem nos céus. Importante lembrar que no início as barquinhas eram cuias com velas que marcavam o caminho e levavam os pedidos de bênçãos, escritos pelos fiéis, em pequenos papéis. Acredita-se que o grande caminho de luz foi idealizado pelo Senhor Manoel Afonso da Silva (Duca Silva), e os balões confeccionados pela Senhora Alzemira Ribeiro.

Contam os historiadores que a ideia surgiu após a queda acidental de um balão nas águas do Trombetas que, por possuir o fundo de papelão grosso, ficou a flutuar iluminando o rio. Nos anos posteriores, com o restante de madeira que sobrava do forro do Salão Paroquial, foram confeccionadas 500 barquinhas. Cada barquinha levava uma vela acesa dentro de um balão de papel de seda colorido, e eram espelhadas no início da procissão fluvial. O efeito visual iguala-se a uma cidade flutuante aproximando-se do porto da cidade.

O cortejo do Círio de Santo Antônio é orientado por uma balsa que conduz a berlinda com a imagem de Santo Antônio, especialmente ornamentada para a ocasião. Esta é acompanhada por outras embarcações decoradas com bandeirolas coloridas e muitos efeitos luminosos. Com a chegada dos barcos ao cais, o Santo é saudado com as buzinas dos barcos que não acompanharam a procissão, um espetacular show pirotécnico e uma multidão de fiéis que esperam a imagem do Padroeiro com muitos aplausos, cantos religiosos e bandeirolas. Nesse momento a emoção toma conta dos fiéis que agradecem as graças recebidas e encomendam novas promessas. A partir desse momento inicia-se a procissão terrestre que vai até a Igreja Matriz, onde é celebrada a Santa Missa pelo Bispo ou pelo Sacerdote da Prelazia.

Em resumo, o Círio de Santo Antônio inscreve-se como uma das maiores manifestações de fé do povo católico do Oeste do Pará, fato que tem chamado atenção de muitos fiéis e pesquisadores de outras regiões do país. E Oriximiná, por meio desta manifestação religiosa, destaca-se como um município que possui um povo cuja expressão cultural destaca-se pela singularidade.

Fonte: Página da Paróquia de Santo Antônio, Oriximiná (http://www.oriximina.org)

Pesquisa: Etelvina Queiroz e Maria Salete Soares, com adaptação de João Felipe Lobato.