Da esquerda para a direita: José Rodrigues de Oliveira (Pacú), Eduardo Melo Machado, Mariano, Rui, Iran, Geraldinho e Raimundo Alberto.
Os Kings no Colégio São José, em Óbidos.

A Jovem Guarda, também designada como iê-iê-iê, em referência à expressão “yeah-yeah-yeah” de músicas dos Beatles, foi um movimento cultural brasileiro surgido em meados da década de 1960, influenciado pelo rock and roll do final da década de 1950, mas que teve como principal fonte de inspiração o fenômeno musical da época, os Beatles, e também pelos Rolling Stones em menor escala. Quem foi adolescente nessa época lembra bem disso, gostando ou não.

Vários conjuntos musicais surgiram no embalo e alguns fizeram sucesso em nível nacional como Os Incríveis, The Jet Blacks, The Jordans, The Clevers. Renato e seus Blue Caps. Mas em cada canto do Brasil surgiram conjuntos usando guitarra elétrica (guitarra base, guitarra solo), baixo e bateria, inicialmente.

Em Oriximiná não foi diferente e por volta de 1966 surgia o primeiro conjunto musical a usar guitarras elétricas na cidade: os Kings (The Kings). Sob a influência dos Beatles, Renato e seus Blue Caps, e também de Roberto Carlos, fizeram muito sucesso e embalaram com entusiasmo as concorridas e animadas festas dançantes da época na sede social do clube Santo Antônio, mas principalmente no Bancrévea.

A formação original dos Kings tinha Irvaldo Cavalcante (Bacú), guitarra, Raimundo Alberto Aragão (Macaco), baixo, Iran Monteiro (crooner), Geraldinho Gato, pandeiro e vocal, e Mariano Seixas, bateria. Depois houve mudanças com a saída, por viagem, do Irvaldo, que foi substituído pelo Arnoldo Filgueiras (Barriga) e depois pelo Rui Barbosa, filho do seu Raimundinho da Usina.

Da esquerda para a direita: Frei Fortunato, Zezinho Oliveira (Zezinho do Juca), Raimundo Alberto, Iran, Arnoldo, Geraldinho e Mariano; agachado, João Walter Tavares

Mariano Seixas, que mora em Manaus, relata algumas histórias do conjunto. Diz que a primeira apresentação dos Kings foi em uma festa no Bancrevea, a pedido da professora Anete Oliva (para arrecadar fundos para ajudar na merenda de crianças por ela atendidas), e que como nunca tinha tocado bateria antes teve que aprender a 15 dias antes da estreia do conjunto vendo o Pirão tocar nas festas da cidade. Ainda segundo o ex-baterista dos Kings, foi o Frei Fortunato que comprou os instrumentos musicais em Manaus, e que  o Jorge Guerreiro de Figueiredo, o Jorjão, levava um gravador durante os ensaios para registrar e conferir a execução das musicas com as gravações originais, aprimorando a performance do grupo.

Isso é um pouco da história de um grupo musical que marcou uma época e permeia a memória saudosista de uma geração de oriximinaenses. Dos integrantes do conjunto apenas o Geraldinho Gato é falecido e quem sabe os demais possam contribuir com mais detalhes e experiências vivenciadas pelos Kings.