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Alocução ao Círio de Santo Antônio de Oriximiná

È impressionante a alegria participante que nos empolga desde os primeiros momentos do círio de Santo Antônio, em Oriximiná. A festa que se comemora do padroeiro, um dos grandes pensadores e intelectuais da ordem franciscana, se reveste em um entusiasmo e congregação por parte do povo que parece, assim, também a natureza na tarde dourada se reveste de uma alegria divina. Somos tomados da festa. Somos todos na festa. Somos todos  a própria festa. Ela se entranha nos nossos corações como se voltássemos a uma infância restada em nossos seres. Somos objeto de uma lembrança de tempos que já lá se vão das nossas vidas. Velhas lembranças se renovam. Somos todos remoçados de outros círios e outras procissões fluviais em outras quaisquer parte onde já estivemos principalmente nos recantos mais longínquos da Amazônia onde quer que habite uma família cristã.

À saída do lago Sacurí, já a tarde morria num azul cinza rosado de dourados em fogo como todas as belas tardes que a nossa hidrografia permite compor e, também, a essa hora, já a lua, no seu portentoso disco radiante, se reflita nas águas cálidas do lago. Então é dado o inicio. Os foguetes rufam uma saudação ao santo padroeiro. As emoções se contêm no arrojo da regata que principia. No toldo do motor Brotinho, sob o iluminado cruzeiro repousa a imagem do padroeiro no nicho magnamente ornado. Principia realmente, a procissão quando todas as embarcações estão dispostas ao largo do Paraná do Sacurí. O alinhamento se forma. São três filas a conduzir. Ao centro, a embarcação do santo, escoltada por outras duas que são: á esquerda, o motor Confiança que trás a placente e bela figura, alvas como garças, das jovens da Congregação das Filhas de Maria. Encabeçando, a direta, o terceiro rosário de naus a lancha Remo desfralda no seu trinado saudoso o anunciar do cortejo. Seus apitos fazem coro aos do Confiança bem como aos hinos sagrados entoados pelas vozes femininas enquanto que o espocar dos foguetes riscam o céu semeando estrelas na festa que nos transfuga das nossas meditações para regiões de emoções incontidas. E, nos momentos de silêncio, onde só o roncar das máquinas se faz ouvir, os movimentos mecânicos parecem que conduzidos por um dedo divino que norteia as nossas atitudes.

Já se vão momentos que a noite é caída. O céu claro ostenta a lua como um dístico nesta procissão, e a noite canta conosco mo seu silêncio de musa. Agora as primeiras luzes da cidade aparecem como um brilhante rosário horizontal que nos induz a sonhar nos reflexos que ela acentua a cada minuto que passa e faz parecer mais e mais o rosto da cidade. Sua topografia acentuada moldura o brilho das luzes que se aproximam e completa o espetáculo da serpente multicor, caleidoscópica, formada pelas barquinhas iluminadas.

No meio de tudo a figura imponente do  comandante do desfile,  capitão  Manoel  Guerreiro, sobressai na  iluminação indireta  de sua camisa branca desfraldada ao vento. Sua figura humana forma par  no pictórico do espetáculo.  O fim do cortejo fluvial se aproxima. A entrada da cidade, somos levados a ilusão de estarmos deslizando sobre a superfície de um céu de água, onde centenas de estrelas coloridas rodopiam ao sabor das ondas do imponente Trombetas : são os barquinhos iluminadas por velas. Somos todos  o coração que palpita de uma multidão, comunados  no sentimento cristão de homenagem ao Santo Padroeiro do Oriximiná. Somos levados a aceitar o que é capaz de perceber e sentir.

No trapiche e ao longo no litoral da cidade, o povo se apinha cantando homenagens ao Santo  no intercalar do ribombar dos fogos de artifício. Em breve a procissão seguirá pelas ruas.

Este é apenas mais um Círio. Outros se seguirão.  Mudarão  talvez  as  embarcações, o desfile, os fogos. Mas não mudará nunca a emoção das nossas alegrias; não mudará nunca o nosso amor por essa alegria. Seremos então velhos dos círios que vimos quando criança fomos.

Oriximiná, Agosto de 1963

PS.:  Morei em Oriximiná de janeiro/1963 a outubro/1970, e há cincoenta anos, quando assisti pela primeira vez a procissão fluvial do Círio, redigi a alocução, cujo original, amarelado pelo tempo, guar-do-o.  Dia 25 passado fiz a leitura dessa lembrança na missa que a comunidade de Oriximiná morado-ra de Belém homenageou seu padroeiro na capela de Santo Antonio  de  Lisboa,  e agora lhes encaminho

Belém, 28 de junho de 2013

PARAGUASSÚ ÉLERES – Agrimensor, Advogado

 

A Cidade de Oriximiná

A CIDADE DE ORIXIMINÁ
Apresentação e atualizações sobre a cidade de Oriximiná/PA, feitas pelos alunos Júlio Oliveira, Fernanda Viana e Simone Camargo, do curso de administração pública da UFPA.
http://oriximinaufpa.blogspot.com.br/2013_07_01_archive.html

GASTRONOMIA

A gastronomia da região tem uma forte influência indígena e africana. Os elementos encontrados na região da Amazônia formam a base de seus pratos, com o acréscimo do camarão, caranguejo, pato e dos peixes, todos temperados com folhas e frutas nativas. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá –, pimentas de cheiro e ervas. Os mais tradicionais são cozidos em panelas de barro ou assados em moquéns e embebidos de tucupi, caldo amarelo extraído da mandioca. Aliás, a raiz é uma das bases da culinária paraense, e sua farinha não pode faltar nos pratos locais.


 
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