Opinião

O pacto necessário

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Os governos e a Justiça estarão cumprindo os papéis que se espera deles: se punirem exemplarmente os corruptos e os corruptores. (Discurso de posse da presidente Dilma Roussef, 2015).

Temperamental e desbocado como era, D. Pedro I por certo daria um soco na mesa, acompanhado de meia dúzia de palavrões, ao ouvir esta frase, mais de 180 anos depois de ter falado do trono, para a Assembleia Geral Legislativa, abrindo a sessão de 1827: O governo necessita que esta Assembleia o autorize, da forma como achar conveniente, para que possa estorvar a marcha dos dilapidadores da Fazenda Pública, aos que não desempenharem bem os seus empregos e aqueles que quiserem perturbar a ordem estabelecida por todos nós jurada; já demitindo-os, já dando-lhes castigos correcionais. (Falla do Throno, abertura de 1827 – Biblioteca do Senado. Atualizei a ortografia).

 

Somos cleptocratas?

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Uma pergunta martelando na cabeça – porque o povo elege determinadas pessoas mesmo sabendo que são corruptas – levou a outras perguntas, estas feitas diretamente a eleitores que me declararam seu voto nessas pessoas. As respostas tinham poucas variações: para alguns, o voto era de gratidão por diversos tipos de ajuda recebidos (furar uma fila no sistema de saúde, telhas para a casa ou bolsa de estudos para o filho) e, para muitos outros, o voto se justificava pela expectativa dessa ajuda. Uma resposta, entretanto, sintetizou tudo:

- Todos eles roubam. Esse daí, pelo menos, dá um pedacinho pra gente.

 
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