Opinião

O PARÁ NÃO SE DIVIDE

Em 2001, quando o Congresso brasileiro aprovou projeto permitindo a divisão do Pará e a criação de um estado do Tapajós, um dos santarenos mais paraenses de todos os tempos, o poeta Ruy Barata, escreveu uma pequena e ao mesmo tempo imensa frase: “eu sou de um país que se chama Pará”. Ruy Barata é o patrono do Grão-Pará livre: ligado ao Brasil por opção, mas com sua soberania, com sua dignidade, preservadas.
Neste momento que o Congresso brasileiro aprovou a realização de plebiscito sobre criação do estado do Tapajós, é oportuno divulgar o grito de guerra de Ruy Barata que sugere uma reflexão: quem tem interesse na divisão do Pará? Que futuro podemos esperar se essa divisão se concretizar?

Ruy Guilherme Paranatinga Barata (Santarém, 25 de junho de 1920 — São Paulo, 23 de abril de 1990.

 

Onde os rios levam vidas em percurso

Guilherme Guerreiro Neto

Fiz esta reportagem em dezembro de 2009, como trabalho do curso de especialização. Agora resolvi postá-la para desembolorar o blog. Em retalhos. A cada semana, um trecho. Minha intenção durante a travessia fluvial foi garimpar algumas espécimes desse povo que habita a nossa Amazônia ou simplesmente está de passagem por ela.

A Bacia Amazônica, a maior do planeta, deixa as honras a cargo do garboso e corpulento Rio Amazonas. Por ele segue viagem o navio Nélio Corrêa. Ponto miúdo ante a imensidão. Estamos em dezembro, a uma semana do Natal. Redes atadas se amontoam num trançar de tecidos e vidas que por dois dias estão unidos, do deitar ao despertar.

 

Homenagem a Renato Guerreiro

Um profissional exemplar
Ethevaldo Siqueira - O Estado de S.Paulo (http://www.estadao.com.br) - 06 de março de 2011

As comunicações brasileiras perderam na segunda-feira passada (28/02) Renato Navarro Guerreiro, primeiro presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O falecimento desse profissional exemplar merece algumas reflexões sobre o papel dos especialistas na área pública.
Aliás, quase todos os governos ao longo da história recente do Brasil se ressentem da falta de quadros profissionais especializados de alto nível em comunicações.

 

Opnião

O minério está acabando. O que fazer em Oriximiná?
Lúcio Flávio Pinto *

No dia 13 de agosto de 1979 o navio Cape Race desatracou de Porto Trombetas, em Oriximiná, levando 21 mil toneladas de bauxita extraída da mina da serra do Saracá, a 30 quilômetros de distância da margem do rio. Navegou por mais 100 quilômetros no Trombetas, entrou no rio Amazonas e mil quilômetros depois chegou ao Oceano Atlântico, em jornada para o Canadá, que era o principal cliente. Foi esse, 27 anos atrás, o primeiro embarque feito pela Mineração Rio do Norte, individualmente a maior produtora do minério de alumínio do mundo. No mês passado o navio Lily saiu do Trombetas com exatamente o dobro da carga (42 mil toneladas), destinada à Alunorte, em Barcarena, a maior refinadora de alumina do mundo e agora a maior cliente do minério (60% dele se destinam ao mercado interno, abastecendo a Alunorte e a Alumar, em São Luís do Maranhão). Foi o 5.000º embarque feito no porto privativo da MRN. Mas enquanto as quatro mil primeiras viagens só foram completadas em 2003, depois de 16 anos de operação, as mil últimas foram realizadas em menos de três anos.
Quando o navio canadense atendeu a primeira encomenda da Alcan, a capacidade de produção da Rio do Norte era de 3,3 milhões de toneladas. No ano passado, a empresa produziu 17,2 milhões de toneladas. Em 27 anos de atividade, comercializou mais de 200 milhões de toneladas. Mais de um terço desse volume foi vendido nos últimos cinco anos.

 
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