Opinião

Colégio Dom Amando

Navegando na internet encontramos texto de Eliezer de Oliveira Martins que relembra os "anos dourados" do tradicional Ginásio Dom Amando. O colégio funcionava em regime de externato, composto essencialmente por jovens da população de Santarém, e de internato, integrado por jovens oriundos das cidades do Oeste do Pará, como Alenquer, Almeirim, Terra Santa, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná, Itaituba, Juruti, Parintins... Desse conjunto de alunos fizeram parte muitos oriximinaenses, com seus curiosos apelidos, e por essa razão decidimos divulgar esse texto como uma homenagem a esses ex-alunos que representam uma valorosa geração de conterrâneos que mais tarde viriam contribuir decisivamente para o desenvolvimento político, social e cultural de Oriximiná. Tentamos contato em diversas ocasiões para obter consentimento formal para divulgação do texo, mas não tivemos sucesso. Decidimos divulgar o texto, assim mesmo, correndo o risco de sermos "ralhados" pelo Eliezer, que é alenquerense da gema. Fez o curso o primário no Grupo Escolar Fulgêncio Simões (Alenquer), o ginasial no Colégio Dom Amando (Santarém), o científico no Colégio Estadual Paes de Carvalho (Belém) e o superior na Universidade Federal do Pará (Belém). Aposentou-se da Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS como técnico em geologia de petróleo. Estudou na Escola Diaconal Santo Efrém do Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém e, em 14 de março de 2004, foi ordenado diácono pelo arcebispo Dom Vicente Zico (http://www.eliezer.ninhodanatureza.nom.br/curr.htm).

Colégio Dom Amando
Eliezer de Oliveira Martins

O Corpo Discente

O corpo discente tinha o regime de externato e internato. Uma convivência escolar salutar devido às trocas de informações entre esses dois segmentos estudantis, afinal Santarém já era a metrópole do interior da Amazônia e, em termos de desenvolvimento, estava à frente das suas irmãs ribeirinhas, portanto funcionava também como uma fonte natural de conhecimento desenvolvimentista.
O Externato
O externato era composto essencialmente pelos estudantes da população local, eis alguns: Leôncio Brás Coimbra Lobato; ércio Bemerguy, o Magrela; Joacy, o Ceguinho; Benedito Guimarães, O Bicudo; Estêvão Siqueira, o Bacia; Raimundo Nonato Braga, o Foca; Alberto e Clovis Branco, os Portugas; Jacinto, o Sapo; Wilson Marinho, o Cutia; Servando Cardoso, o Bolinha; Lourenço e João Bosco Koauffer; Estica; Ednaldo Mota, o Louro Assanhado; Eduardo e Célio Bentes; Laurimar Leal; Joaquim Lopes de Vasconcelos, o Perna de Arco; Wilson Fonseca, o Pinta; Eimar Messias, o Piruíra; Everton e Edson Neves, os Gêmeos; Nilzomar Brito, o Dez; Tubarão; Raul Marleno Lima, o Piracuí; Merandolino e Lúcio Macedo; Paulo Roberto e Fernando Matos; Carlos Moura, o Galo; José Wilson, o Pimpão, e Vicente Malheiro Fonseca; Herbert Tadeu Matos...

O Internato
Por sua vez, o internato, compunha-se dos jovens oriundos das cidades ribeirinhas amazônicas, como Alenquer, Almeirim, Terra Santa, Monte Alegre, óbidos, Oriximiná, Itaituba, Juruti, Parintins... Até de Belém, Manaus, Rio de Janeiro, e imagine só, de Santarém também!...
Estes jovens eram todos filhos de fazendeiros e comerciantes, que procuravam educação para seus rebentos além daquela que era ministrada na cidade natal. Vinte por cento das vagas eram preenchidas por alenquerenses...
Quem não tinha condições financeiras, não podia estudar em Santarém, muito menos fazer parte deste seleto grupo de jovens que compunham o internato.
A idade de admissão girava entre 10 a 16 anos. Um jovem interno com idade além dessa faixa foi porque adquiriu o excedente no internato. José Maria Vieira, o Mucurinha, entrou com 10 e saiu 18...
Outra condição para ser aceito no internato: O jovem era obrigado a ter um responsável na cidade de Santarém para acompanhar seu desenvolvimento escolar e resolver os problemas contigenciais.
Eis alguns nomes dos jovens internos, uns com os apelidos, outros somente apelidos, o que talvez exija esforço para lembrar de quem se trata. Os apelidos foram mencionados como reforço ao carinho e à intimidade que uniam todos entre si:
Antônio Vasconcelos, o Totó; William Siqueira, o Papai Vêvê; Vilmar Carneiro, o Bode; José Emilio, o Cegueta, e José Maria Vieira, o Mucurinha; Waldemar Coimbra, o Perneta; Antônio, o Bacada, e Luiz Batista, o Bacabinha; Tataritá; Caiarara; Vander, o Porco Mole, Leonam, o Tangará, e Advervani Souza, o Baieco; Ivo Paz de Oliveira, o Pé de Chumbo; Henrique Oti, o Pezão; José Maria Franca; Leopoldino, Leopoldo, o Trator; e José Teixeira, o Macarrão; Nelson e Chady Sadala; Carlos Roberto Furtado; Alfredo Higasshi; Abdias, o Garrafão; Pedro, o Porco China, e Walter, o Xinica; o Grosso; o Carioca; o Belemita; Luiz Cláudio, o Boleta, Eliezer, o Maju, e Joaquim Martins; Nelsi Sadeck, ; Antonio Augusto Simões, o Pepe; José Simplício; José Fima Diniz; Diogo Gouveia, o Jabuti; Ari e Mauro Gato; Gabriel Guerreiro, o Tio K; Edgard Guimarães, o Boto Branco; Raimundo Garibaldi; José Figueira; Janary, o Cabeça de Bala, e Ismaelino Valente, o Grafite; Afonso e Cristóvão Lins, o Tovica; Mario Kobaiashi; Antão e Jonas Ikegami; Boanerges; Daniel e Tadaó Sawaki; Bernardo e Gregório Kawakami; Antônio Calderaro; Antonio e Humberto Polaro; Marcílio Guerreiro, o Jeréu; Ademar Kock; Alberto Guerreiro; Adalberto Amaral; Eluzio Guerreiro; Antônio, o Toninho, Joaquim, o Juá, e Manoel Amaral, o Maneca; Ney e Ivo Bayma; irmãos Chocron, sendo um deles o Pinto; irmãos Lavareda...
Pela ótica regional, cada um desses jovens muitas vezes era conhecido pelo cognome que caracterizava sua cidade de origem. Assim, os santarenos eram os mocorongos; os alenquerenses, ximangos; os monte-alegrenses, pinta-cuias, os obidenses, pauxis, os oriximinaenses, espoca-bodes...
Cada cognome tem sua estória, umas até engraçadas. Dizem que o “espoca-bode” dos oriximinaenses originou-se devido a “explosão” de um bode. Sim, um bode explodiu de tanto comer farinha e beber água. Parece que aconteceu assim. O animal estava no porão de um barco atracado no trapiche de Oriximiná carregado de sacos de farinha. A certa altura, faminto, o bode passou a comer o ensacado ao mesmo tempo que bebia da água que seu dono deixou caso sentisse sede. Ora, come farinha e bebe água, come e bebe, a barriga do bode foi tufando, tufando e... Puuufff.
Durante as férias de meio e fim do ano, as portas e janelas do colégio fechavam-se. Os jovens internos retornavam às suas cidades e alguns dos irmãos aproveitavam a época para melhor conhecer o Brasil e outros para visitar os parentes nos Estados Unidos.
Seminário
Primeiros internos do seminário da irmandade da Santa Cruz fundado na serra da Diamantina: José Brito Teixeira, o Macarrão, Vilmar Carneiro, o Bode, Pedro Vinente Matos...

 

Por que Estado do Tapajós?

Recebemos do conterrâneo João Augusto de Oliveira, ex-prefeito de Oriximiná, mensagem com algumas questões que consideramos bastante pertinentes a respeito da criação do Estado do Tapajós. Apesar de NÂO nos incluirmos entre aqueles favoráveis à divisão do Pará, por razões técnicas e políticas sobejamente conhecidas, em particular no âmbito da Academia, divulgamos o texto com o intuito de promover, como sugerido, um debate sobre as questões abordadas:

Por que o Estado pretendido por nós já vir denominado como "TAPAJOS", tendo como capital "SANTAREM". Quem decidiu? Ao que se sabe não houve nenhuma consulta sobre nomes, verdade? Aliás, se for  oportuno, pode abordar logo no "Espoca" nosso desapontamento. Já nasceremos recebendo "prato feito"?

 

A origem da Festa Junina.

Depois do Carnaval, as Festas Juninas são um dos evento mais consagrados no território nacional. As ruas, praças e escolas de muitas cidades são decoradas com bandeirinhas coloridas e, em barracas montadas ao ar livre, são servidas comidas e bebidas típicas. Entre os quitutes, estão a paçoca, o pé-de-moleque, rapadura, pipoca, o milho verde, o amendoim torrado, batata doce, canjica, o doce de abóbora, o arroz doce e, para os adultos, quentão e vinho quente. Também são comuns brincadeiras como pescaria, argolas e tiro ao alvo e danças tradicionais, como a quadrilha.

 

O PARÁ NÃO SE DIVIDE

Em 2001, quando o Congresso brasileiro aprovou projeto permitindo a divisão do Pará e a criação de um estado do Tapajós, um dos santarenos mais paraenses de todos os tempos, o poeta Ruy Barata, escreveu uma pequena e ao mesmo tempo imensa frase: “eu sou de um país que se chama Pará”. Ruy Barata é o patrono do Grão-Pará livre: ligado ao Brasil por opção, mas com sua soberania, com sua dignidade, preservadas.
Neste momento que o Congresso brasileiro aprovou a realização de plebiscito sobre criação do estado do Tapajós, é oportuno divulgar o grito de guerra de Ruy Barata que sugere uma reflexão: quem tem interesse na divisão do Pará? Que futuro podemos esperar se essa divisão se concretizar?

Ruy Guilherme Paranatinga Barata (Santarém, 25 de junho de 1920 — São Paulo, 23 de abril de 1990.

 

A necessidade urgente de mais investimentos em ciência, educação e saúde na Amazônia

Claudio Guedes Salgado
Aqui estou eu em Oriximiná, Oeste do estado do Pará, no escritório da casa do meu amigo Domingos Wanderley Picanço Diniz, após a vista para o rio Trombetas desaparecer com o início da noite, com uma conexão lenta (não, eu não estou falando de 300K, estou falando lentidão tipo conexão discada, se é que vocês ainda lembram o que é isso), buscando inspiração para escrever um artigo sobre o que vi por aqui durante um trabalho de campo com hanseníase esta semana, quando recebi a edição 4261 do Jornal da Ciência, com duas matérias conflitantes, mas apropriadamente complementares.

 
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