Opinião

Crônicas sobre o Separatismo (Parte 4)

Discutindo alguns dados econômicos, a questão do ICMS
Eduardo José Monteiro da Costa
Com a proximidade do plebiscito cada vez mais aumenta o interesse pelo tema do separatismo e como em qualquer campanha números e dados estão sendo constantemente apresentados por “especialistas” com o objetivo de sustentar ou desconstruir as teses pró e contra o separatismo. É uma eleição como qualquer outra. Neste ponto, as informações muitas vezes são manipuladas e os dados torturados para se tentar extrair deles aquilo que corrobore com os seus objetivos.

 

Crônicas sobre o Separatismo (Parte 3)

O Pará-Miri e a herança maldita
Eduardo José Monteiro da Costa
Com o plebiscito do dia 11 de dezembro o atual estado do Pará que outrora já foi Grão-Pará, poderá vir a se tornar, em um futuro próximo, “Pará-Miri” ou “Parazinho”, como ironicamente vem sendo chamado por alguns. A divisão territorial do estado é assunto polêmico e extremamente sério para ser tratado unicamente ao calor das emoções, ou embalados por músicas empolgantes, comícios, carreatas, adesivagens e campanhas publicitárias caríssimas coordenadas por marqueteiros de renome nacional.

 

Crônicas sobre o Separatismo (2)

Crônicas sobre o Separatismo (Parte 2): Os reais problemas a serem enfrentados
Eduardo José Monteiro da Costa
Nos últimos meses a polêmica sobre a questão do separatismo tem estado presente quase que diariamente na mídia e com a proximidade do plebiscito, que acontecerá em dezembro de 2011, a expectativa é que esta discussão se torne central no âmbito da sociedade paraense. O fato é que a discussão sobre a divisão territorial do estado do Pará envolve paixões, mitos, interesses e algumas verdades que em grande parte ainda permanecem ocultas – se é que em algum momento elas serão realmente desveladas ao cidadão comum.

 

Um círio diferente!

João Bosco Almeida
http://kondurilandia.blogspot.com/2011/08/um-cirio-diferente.html

Não tem mais as barquinhas de madeira. Não tem mais a “equipe do Santo Antonio”, a turma do “Tonico”; não tem mais as inovações criativas para surpreender os milhares de espectadores no cais, ruas e ladeiras da cidade. Passividade e êxtase alternam as expressões dos nativos e visitantes; é nessa perspectiva que ocorre a grande diferença percebida entre um círio religioso como o da “Nazinha” em Belém e nosso círio de Santo Antonio, em Oriximiná.

Aninga, funcionários da prefeitura, adereços “de boi”, e trio elétrico, substituíram a simbólica produção de décadas passadas. É assim que se organizam as atividades do círio fluvial noturno do Santo Antonio no rio trombetas. Há uma forte presença da influência amazonense na decoração das embarcações, movimentos luminosos, na batida das músicas, tudo remanescendo a “festa de boi”.
Aliás, falta mesmo religiosidade no nosso círio de Santo Antonio. Faltam fervor, fidúcia antoniana, concentração aos ritos de uma manifestação de confiança no padroeiro da cidade. Faltam encadeamentos das rezas e expressão de espanto pelos fogos coloridos na noite do rio Trombetas que ofuscam a expressão de fé, explorando aplausos, mirando prêmios...

Não se vê lideranças religiosas inspirando o povo que assiste a um traslado fluvial noturno, sem convicção religiosa. Ouvi até menções no meio do povo que há ameaça de autoridades visando não mais pagar para fazerem o círio. Aqui a diferença: pagam o círio com dinheiro público; círio se faz com fé e doação, se constrói e se reconstrói a cada ano pelo imaginário repetido no interior de cada oriximinaense.
A pecúnia afasta a devoção, que nasce na oralidade familiar; a plástica ciriense é estranha as tradições locais. Os desenhos são concebidos fora do âmbito religioso, que é chamado apenas para aprovar ou não o desenho de santo. As vestes religiosas são substituídas a gosto da decoração para não atrapalhar o espetáculo de cores; o símbolo cristão veste fralda nos braços do santo português. O dia do círio chega junto com o cardápio religioso. Não há mobilização do povo para integração nas atividades sacras.

Não se percebe a devoção, o momento da parada cingida para o santo; não se sente a ligação, a sintonia entre o devoto e devotado; dispersos na fé, sem elo oratório, não há círio, corrente de fervor religioso conduzindo seu padroeiro. Ao contrário, há concorrência, porfia, trio elétrico “puxando” uma batida de boi; há uma disputa para premiar a mais bonita embarcação no desfile fluvial: primeiro a “balsa do Santo”, seja ela mesma uma balsa ou ferry-boat, ou os barcos do passado. Depois, na fila, a maior delas jorra cascata luminosa cegando os já cegos e passivos espectadores no cais, soltam-se fogos de todo tipo imitando o quatro de julho americano; corujas, pássaros noturnos se atordoam e saem em revoadas malucas como são as fagulhas levadas pelo vento. Em seguida, as menores embarcações, mas todas elas fazendo uma “paradinha”, como os batedores de pênaltis...focados por uma canhão de luz, revelando um desenho aleatório de fumaças provocados pelos estouros luminosos. O céu fica encantado, sem fé!

Assim roubam a cena, estas embarcações por serem mais iluminadas que a “balsa do Santo” buscam a glória, um desfile apoteótico, sem referencia sequer ao rito religioso, não inspirando no espectador aturdido nenhuma oração... afinal, estamos num círio, que por definição devia ser uma procissão religiosa.

Realmente, depois de seis anos eu vi um círio diferente, tanto daqueles saudosos círios das décadas de 70 e 80, como dos que participo caminhando pelas ruas da cidade das mangueiras.

João Bosco Almeida é oriximinaense, advogado... e escritor nas horas vagas.

 

Colégio Dom Amando

Navegando na internet encontramos texto de Eliezer de Oliveira Martins que relembra os "anos dourados" do tradicional Ginásio Dom Amando. O colégio funcionava em regime de externato, composto essencialmente por jovens da população de Santarém, e de internato, integrado por jovens oriundos das cidades do Oeste do Pará, como Alenquer, Almeirim, Terra Santa, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná, Itaituba, Juruti, Parintins... Desse conjunto de alunos fizeram parte muitos oriximinaenses, com seus curiosos apelidos, e por essa razão decidimos divulgar esse texto como uma homenagem a esses ex-alunos que representam uma valorosa geração de conterrâneos que mais tarde viriam contribuir decisivamente para o desenvolvimento político, social e cultural de Oriximiná. Tentamos contato em diversas ocasiões para obter consentimento formal para divulgação do texo, mas não tivemos sucesso. Decidimos divulgar o texto, assim mesmo, correndo o risco de sermos "ralhados" pelo Eliezer, que é alenquerense da gema. Fez o curso o primário no Grupo Escolar Fulgêncio Simões (Alenquer), o ginasial no Colégio Dom Amando (Santarém), o científico no Colégio Estadual Paes de Carvalho (Belém) e o superior na Universidade Federal do Pará (Belém). Aposentou-se da Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS como técnico em geologia de petróleo. Estudou na Escola Diaconal Santo Efrém do Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém e, em 14 de março de 2004, foi ordenado diácono pelo arcebispo Dom Vicente Zico (http://www.eliezer.ninhodanatureza.nom.br/curr.htm).

Colégio Dom Amando
Eliezer de Oliveira Martins

O Corpo Discente

O corpo discente tinha o regime de externato e internato. Uma convivência escolar salutar devido às trocas de informações entre esses dois segmentos estudantis, afinal Santarém já era a metrópole do interior da Amazônia e, em termos de desenvolvimento, estava à frente das suas irmãs ribeirinhas, portanto funcionava também como uma fonte natural de conhecimento desenvolvimentista.
O Externato
O externato era composto essencialmente pelos estudantes da população local, eis alguns: Leôncio Brás Coimbra Lobato; ércio Bemerguy, o Magrela; Joacy, o Ceguinho; Benedito Guimarães, O Bicudo; Estêvão Siqueira, o Bacia; Raimundo Nonato Braga, o Foca; Alberto e Clovis Branco, os Portugas; Jacinto, o Sapo; Wilson Marinho, o Cutia; Servando Cardoso, o Bolinha; Lourenço e João Bosco Koauffer; Estica; Ednaldo Mota, o Louro Assanhado; Eduardo e Célio Bentes; Laurimar Leal; Joaquim Lopes de Vasconcelos, o Perna de Arco; Wilson Fonseca, o Pinta; Eimar Messias, o Piruíra; Everton e Edson Neves, os Gêmeos; Nilzomar Brito, o Dez; Tubarão; Raul Marleno Lima, o Piracuí; Merandolino e Lúcio Macedo; Paulo Roberto e Fernando Matos; Carlos Moura, o Galo; José Wilson, o Pimpão, e Vicente Malheiro Fonseca; Herbert Tadeu Matos...

O Internato
Por sua vez, o internato, compunha-se dos jovens oriundos das cidades ribeirinhas amazônicas, como Alenquer, Almeirim, Terra Santa, Monte Alegre, óbidos, Oriximiná, Itaituba, Juruti, Parintins... Até de Belém, Manaus, Rio de Janeiro, e imagine só, de Santarém também!...
Estes jovens eram todos filhos de fazendeiros e comerciantes, que procuravam educação para seus rebentos além daquela que era ministrada na cidade natal. Vinte por cento das vagas eram preenchidas por alenquerenses...
Quem não tinha condições financeiras, não podia estudar em Santarém, muito menos fazer parte deste seleto grupo de jovens que compunham o internato.
A idade de admissão girava entre 10 a 16 anos. Um jovem interno com idade além dessa faixa foi porque adquiriu o excedente no internato. José Maria Vieira, o Mucurinha, entrou com 10 e saiu 18...
Outra condição para ser aceito no internato: O jovem era obrigado a ter um responsável na cidade de Santarém para acompanhar seu desenvolvimento escolar e resolver os problemas contigenciais.
Eis alguns nomes dos jovens internos, uns com os apelidos, outros somente apelidos, o que talvez exija esforço para lembrar de quem se trata. Os apelidos foram mencionados como reforço ao carinho e à intimidade que uniam todos entre si:
Antônio Vasconcelos, o Totó; William Siqueira, o Papai Vêvê; Vilmar Carneiro, o Bode; José Emilio, o Cegueta, e José Maria Vieira, o Mucurinha; Waldemar Coimbra, o Perneta; Antônio, o Bacada, e Luiz Batista, o Bacabinha; Tataritá; Caiarara; Vander, o Porco Mole, Leonam, o Tangará, e Advervani Souza, o Baieco; Ivo Paz de Oliveira, o Pé de Chumbo; Henrique Oti, o Pezão; José Maria Franca; Leopoldino, Leopoldo, o Trator; e José Teixeira, o Macarrão; Nelson e Chady Sadala; Carlos Roberto Furtado; Alfredo Higasshi; Abdias, o Garrafão; Pedro, o Porco China, e Walter, o Xinica; o Grosso; o Carioca; o Belemita; Luiz Cláudio, o Boleta, Eliezer, o Maju, e Joaquim Martins; Nelsi Sadeck, ; Antonio Augusto Simões, o Pepe; José Simplício; José Fima Diniz; Diogo Gouveia, o Jabuti; Ari e Mauro Gato; Gabriel Guerreiro, o Tio K; Edgard Guimarães, o Boto Branco; Raimundo Garibaldi; José Figueira; Janary, o Cabeça de Bala, e Ismaelino Valente, o Grafite; Afonso e Cristóvão Lins, o Tovica; Mario Kobaiashi; Antão e Jonas Ikegami; Boanerges; Daniel e Tadaó Sawaki; Bernardo e Gregório Kawakami; Antônio Calderaro; Antonio e Humberto Polaro; Marcílio Guerreiro, o Jeréu; Ademar Kock; Alberto Guerreiro; Adalberto Amaral; Eluzio Guerreiro; Antônio, o Toninho, Joaquim, o Juá, e Manoel Amaral, o Maneca; Ney e Ivo Bayma; irmãos Chocron, sendo um deles o Pinto; irmãos Lavareda...
Pela ótica regional, cada um desses jovens muitas vezes era conhecido pelo cognome que caracterizava sua cidade de origem. Assim, os santarenos eram os mocorongos; os alenquerenses, ximangos; os monte-alegrenses, pinta-cuias, os obidenses, pauxis, os oriximinaenses, espoca-bodes...
Cada cognome tem sua estória, umas até engraçadas. Dizem que o “espoca-bode” dos oriximinaenses originou-se devido a “explosão” de um bode. Sim, um bode explodiu de tanto comer farinha e beber água. Parece que aconteceu assim. O animal estava no porão de um barco atracado no trapiche de Oriximiná carregado de sacos de farinha. A certa altura, faminto, o bode passou a comer o ensacado ao mesmo tempo que bebia da água que seu dono deixou caso sentisse sede. Ora, come farinha e bebe água, come e bebe, a barriga do bode foi tufando, tufando e... Puuufff.
Durante as férias de meio e fim do ano, as portas e janelas do colégio fechavam-se. Os jovens internos retornavam às suas cidades e alguns dos irmãos aproveitavam a época para melhor conhecer o Brasil e outros para visitar os parentes nos Estados Unidos.
Seminário
Primeiros internos do seminário da irmandade da Santa Cruz fundado na serra da Diamantina: José Brito Teixeira, o Macarrão, Vilmar Carneiro, o Bode, Pedro Vinente Matos...

 
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